Projetos mais baratos e ousados são a nova onda do mercado sertanejo

Projetos mais baratos e ousados são a nova onda do mercado sertanejo

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O que uma crise econômica pode alterar na música ? Realmente na música nada. Mas e em projetos audiovisuais, como as gravações de clipes e DVD’s ? Ah, isso tudo muda completamente e vou explicar em uma visão mais aberta o por quê disso.

O Brasil anda mal das pernas economicamente há pelo menos uns 3 anos, e antes dessa crise atingir a nossa população os escritórios artísticos ou os próprios artistas ostentavam grandes super produções, com platéia de 20, 30, 40 mil pessoas nas antigas gravações de dvd, no qual o projeto todo custava até R$ 8 milhões de reais, mas com a venda de ingressos no evento a conta ficava mais baixa, saindo do próprio bolso do artista apenas uns 40% do custo total, era até uma forma inteligente de recuperar o dinheiro investido no projeto audiovisual, que tornava-se cada vez mais importante para que o artista mantivesse extensa agenda de shows mensais e o faturamento lá encima.

Quem não lembra por exemplo dos projetos de Cristiano Araujo “In The Cities”, Jorge e Mateus “Live em London, em Londres na Inglaterra”, Henrique e Juliano “Novas Histórias” e “O Céu Explica Tudo”, e mais recentemente Marília Mendonça “Realidade” que é o atual de trabalho muito provavelmente encerrou a era gigante de público e Maiara e Maraisa “Ao Vivo em Campo Grande” e tantos outros.
Podemos dizer que esses projetos custaram muito dinheiro, que precisaria voltar aos caixas dos investidores em forma de shows e agenda lotada, e claro que funcionou porque todos esses artistas listados tinham em média de 24 a 29 shows por mês na alta temporada, o que é um número assustador e o valor de cachê após esses projetos foi nas alturas, atingindo até R$ 500.000,00 por apresentação em alguns casos e naquelas datas como “Réveillon” o cachê era dobrado para quem se propunha a trabalhar na virada de ano.

O mercado musical estava com os cofres transbordando no primeiro escalão de artistas, fazendo os artistas menores cada vez mais serem obrigados a investir mais e mais dinheiro se quisesse aparecer de alguma forma, já que os maiores escritórios artísticos fechavam todas as datas disponíveis com os contratantes, já que em seu casting sempre tinham de 6 (seis) a 12 (doze) artistas para encaixe nas maiores praças de shows do país, sobrando pouco espaço aos menores além das casas noturnas, existiam fácil em cinco dos maiores escritórios em torno de 50 a 60 artistas disputando a tapa os shows, fazendo com o que o contratante vislumbrasse sucesso em qualquer evento produzido. Mas daí veio a crise econômica e alguns artistas logo entenderam a sacada e produziram projetos audiovisuais com investimento baixo financeiro.

Entre os projetos responsáveis pela mudança do cenário veio Luan Santana “Acústico”, um projeto que buscou influências gringas com a história de Elvis Presley e uma outra carga foi jogada nas costas do mercado, a carga de projetos ousados, aqueles que ninguém nunca fez e ao mesmo tempo se destacasse em mídia (Eu listei esse projeto do Luan Santana como a reviravolta financeira do mercado, mas vale lembrar que George Henrique e Rodrigo lançaram seu primeiro dvd gravado em um posto de gasolina anos antes) vale ressaltar.

Agora com a crise financeira instalada no mercado nacional, sem muito dinheiro girando, com a agenda de shows menores durante o mês e os faturamentos menores, algumas saídas se tornaram obrigatórias como em todo início de mês o artista soltar um banner mostrando as datas do mês e as cidades, para elevar sua força, já que uma média de valores de cachê todos do mercado sabem, e os valores diminuíram bastante, hoje é praticamente impossível aquele cachê mencionado acima de R$ 500.000,00. Tanto é difícil que foram criados grandes eventos e vários artistas na grade como os atuais “Villamix” e “Festeja” para gerar mais dinheiro e manter a agenda cheia dos artistas, como era no passado.

Os projetos audiovisuais, os chamados DVD’s, que hoje são mais do que necessários (até porque o público hoje não compra só a música), ele quer na verdade o clipe da música com a expansão da exposição e ver a imagem do seu artista preferido em qualquer plataforma de internet e nas televisões abertas e fechadas, viraram uma grande arma para a diminuição de verba econômica, tornando é claro agora os artistas dependentes desse item se quiserem chamar a atenção de alguma forma e a imprensa tem papel fundamental nisso, e quem não olhar dessa forma ficou para trás.

Mas projetos baratos surgiram aos montes, e cada vez mais DVD’s interessantes e lindos em fotografia chegaram aos nossos olhos e podemos listar alguns como os de Luan Santana “Acústico” e “1977”, Leonardo e Eduardo Costa “Cabaré” (que foi ainda a grande sensação do mercado), Marcos e Belutti “Acústico I” e “Tão Feliz”, Gusttavo Lima “Buteco do Gusttavo Lima” e “50/50” além é claro de vários outros. E agora estamos com idéias fantásticas como gravar um dvd no terraço de um prédio, assim como Hugo Del Vecchio fez em Goiânia ou o Trio Parada Dura fez na chalana.

Naiara Azevedo acertou em cheio e fez sucesso de vez no mercado com o DVD em Goiânia e que ficou conhecido como o DVD “Totalmente Diferente” (que lançou a música 50 reais), e voltou na mesma fórmula o novo dvd “Contraste” alto de uma favela no Rio de Janeiro e agora Fernando e Sorocaba lançaram o “Sou do Interior” gravado entre máquinas agrícolas no meio de um milharal. Podemos dizer que os artistas estão criando projetos cada vez mais imagináveis ao cenário da música, e o público está agradecendo é claro.

Mas as fábricas de idéias estão cada vez mais inteligentes e ultimamente alguns DVD’s gravados ainda vem com roteiro, transformando-os em documentários e atuações artísticas dos próprios artistas, e um já nos chama a atenção que é o atual de Fiduma e Jeca “Ah, Se Os Pais Soubessem” que além das músicas tem um roteiro escrito, contando uma história música após música dando uma sequência para nós vermos o projeto por inteiro e não apenas algumas músicas, como era anteriormente.

Agora a dupla Bruno e Barretto também divulga a gravação de um DVD nos Estados Unidos, em 12 dias de viagem pelo país numa temporada de shows a bordo de motorhome, limousine em forma de ônibus, vários shows e o dia a dia da dupla na terra do Tio Sam, e seu lançamento já está previsto para o início de 2018, sem nem ao menos ainda ter sido gravado.

Então está aí uma fórmula mágica para se manter na estrada do sucesso, seja qual o seu tamanho e o seu investimento, hoje quem cria conteúdo além da música se sobressai, quem fica no pensamento antigo que é só gravar uma música boa que faz sucesso ficou para trás, isso não é mais o ponto principal. Os artistas precisam aparecer em toda a mídia com entrevistas, notícias, furos de reportagem, análises de projetos e etc. Os que não gostam dos holofotes cada vez mais irão sumindo da lembrança do público, e está aí o que queríamos dizer com tudo isso.

Artista que não é visto, não é lembrado !!!

Texto : Maurício Ferigato

 

  • Fique abaixo com as capas do projetos listados em nossa coluna de hoje e ao clicar sobre o negrito dos nomes citados no post o link direto ao disco no Youtube para os que ainda não assistiram esses exemplos todos:

 

 

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